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domingo, 8 de agosto de 2010

Filosofia

Elogio de Helena, de Górgias
Dentro de nossos estudos sobre a fIlosofia antiga, trago mais esta bela obra para a nossa reflexão.
Estudo introdutório, cópia do texto original e tradução:Humberto Zanardo Petrelli petrelli@hotmail.com . Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo – USP. Limeira, Fonte:http://www.consciencia.org/gorgiashumberto.shtml
Helena e Páris,
pintura de Jacques-Louis David, 1788

Górgias ( 485- 375 a.C.) foi natural de Leontino, na Sicília. Em 427 a.C. ele viajou para Atenas, como embaixador, a fim de buscar ajuda dos atenienses numa campanha contra Siracusa. Seu discurso surpreendeu os atenienses a tal ponto que logo ficou conhecido como um hábil orador. Obteve êxito em sua missão e acabou retornando para sua pátria. No entanto, logo voltou para Atenas aonde conseguiu se sustentar através de sua oratória, ensinando e praticando retórica. Recusou-se a assumir o apelido de sofista, preferindo ser chamado de retórico. Tornou-se reconhecido por ter introduzido os aspectos formais da técnica da retórica na Grécia. Apresentava um estilo enérgico e criativo, e poetava com exímia habilidade para improvisação. Percorreu a Grécia com outros sofistas e adquiriu bastante popularidade. Possuiu um grande número de discípulos. Dizia que não ensinava virtude, e sim a técnica da persuasão. Em outras palavras, habilitava seus discípulos a estarem de prontidão para discursar sobre qualquer tema. O retórico, portanto, tinha a necessidade de convencer os seus ouvintes independentemente de qualquer conhecimento sobre o assunto proposto. Górgias não estabeleceu seus ensinamentos em nenhum sistema retórico definido, no entanto, indicava aos seus pupilos passagens literárias para se aprender de cor e imitar, a fim de aplicar esses aprendizados na retórica. Ajudou a difundir o dialeto ático como a linguagem literária da prosa. Foi contemporâneo de Sócrates, que tomou a cicuta em 399 a.C., e findou seus dias em Larissa, na Tessália, com aproximadamente 105- 8 anos de idade. Resta, atualmente, dois trabalhos de sua autoria, que pode ser que não sejam genuínos: Apologia de Palamedes e Elogio de Helena. Este último, apresentamos a tradução com a cópia do original. Foram utilizadas as traduções do professor José Cavalcante de Souza, que não foi editada oficialmente, e de Maria Cecília de Miranda N. Coelho, editada em 1999, na publicação ‘Cadernos de Tradução 4’, pelo Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, para auxiliar nas partes mais difíceis de se traduzir. A cópia do texto original tem como base a edição grega de DIELS, H. & KRANZ, W. Die Fragmente der Vorsokratiker, Zweiter Band, Berlin, Weidmann, 1989, pp. 288- 294.
Sabe-se que Helena foi uma das personagens mais conhecidas entre os gregos. Ela inspirou a criatividade de Homero, dentre outros poetas. Heródoto a citou no início de sua História da guerra entre os gregos e os persas. Esse elogio, atribuído a Górgias, exemplificava um compacto paradigma de como a retórica sofística era conhecida. A organização desse discurso tinha um caráter judicial: há uma introdução ( 1- 2), uma narração da linhagem de Helena ( 3- 5), uma divisão ( 6a), uma prova ( 6b- 19), e a peroração ( 20- 21). Górgias descreveu Helena como descendente de Leda e Zeus, de fato, e Leda e Tíndaro, pela reputação. Esta linhagem a conferia uma ‘beleza semelhante à divina’ ( „sÒqeon k£lloj), e foram as causas dos acontecimentos ao seu redor, ou seja, despertar desejos e reunir força de inúmeros homens. O desejo dos deuses foi um assunto importante, pois o desejo do mais fraco não poderia ter poder perante o desejo do mais forte. Então, se os deuses eram mais fortes, como um mortal, que é mais fraco, poderia suportar a força dos mais fortes? Górgias também estava preocupado em reconhecer os limites do conhecimento e focalizar a ‘opinião’ ( dÒxa). Para esse retórico, o processo do discurso residia no interesse em explicar seu funcionamento mágico e fisiológico, além dos efeitos da fala.
O ‘discurso’ ( lÒgoj) tem um poder regulador. Sua essência é minuciosa e invisível, e suas realizações são sobre-humanas. Górgias vai acentuar a natureza física da linguagem e a inocência dos ouvintes na seção 8. Há, portanto, inato ao ser humano uma habilidade de persuadir um ao outro e revelar aquilo o que é desejado. O ‘discurso’ é operário do homem, pois estabelece leis e descobre técnicas, capacitando o ser humano para modelar os objetos que ele é capaz de fazer. O ‘discurso’, então, é louvado por aquilo que ele revela ao ser humano, e sobre aquilo que ele pode provocar.
O ‘amor’ ( œrwj ) também vai ser tratado nesse elogio. Helena aparece distanciada da discussão da ciência da visão, que era a sensação que despertava o desejo. A visão, como estimulante do desejo, era importante, mas ainda não irá salvar Helena da culpa que carrega. Górgias acreditava que os objetos da visão eram externos aos observadores e, portanto, não eram um construto do observador. O alcance da visão precisava de um agente externo, que se evidencia no início do argumento quando Górgias descreve como um observador reage sustentado em sua própria percepção do objeto, mas que não é o objeto de fato, pois freqüentemente as pessoas fogem em pânico quando algum perigo iminente se torna presente, como se observa nas seções 15- 16. Não há uma explicação de como a natureza externa de um objeto visto se relaciona com a sua idéia de percepção. Não se desenvolve o conceito da aparente inconsistência dos observadores que reagem a determinados estímulos que eles (erradamente) percebem. Termina-se a seção 19 apontando que o amor é uma divindade ou, então, mal e incapacidade humanas.
Górgias escreveu esse ‘elogio de Helena’ como um ‘brinquedo’ ou ‘diversão’ ( pa…gnion ). Este ‘brinquedo’ era uma tendência sofística para tomar uma situação difícil e dilatá-la com o discurso. No Timeu 22 b 4 – 5 , Platão traz a seguinte sentença: ‘Os gregos sempre são crianças, nunca os gregos são velhos’ ( “Ellhnej ¢eˆ pa‹dšj ™ste , gšrwn d “Ellhn oÙk œstin ). Esta sentença apresenta a relação que os gregos tinham com o ‘brincar’ e ser ‘criança’. Platão pretendia se referir à mocidade dos gregos além da sensação limitada de sua história, demonstrando a idéia de que os gregos tinham curiosidade e energia de crianças, e faziam desse comportamento o fundamento de sua educação. Neste sentido, o ‘brinquedo’ podia ser um trabalho sério.
Na seção 9, Górgias escreve que ‘toda poesia pode ser chamada de um discurso que tem metro’. Seus ouvintes estremeciam de terror e choravam. A alma, então, era afetada pelas palavras e sentia uma emoção própria despertada pelas boas fortunas, podendo até ficar doente. Os encantamentos inspirados pela palavra podiam induzir ao prazer e podiam evitar o pesar. O poder do encantamento pela palavra acalmava e persuadia a alma, pois a transportava com a sua magia. Através do discurso dois tipos de magia e feitiçaria foram inventados, que são os erros da alma e as decepções da mente. Porém, quando os pintores criam uma forma de muitas cores, estimulam o prazer da vista. Esse prazer que a escultura proporciona aos olhos é divino. Assim, muitos objetos geram em muitas pessoas um amor de muitas ações e formas. A persuasão era um tema que preocupava Górgias porque, se todos tivessem memória sobre os acontecimentos do passado, o conhecimento do presente, e a vidência do futuro, o poder do discurso não seria tão relevante. No entanto, como há poder no discurso haverá decepção entre os homens porque a maioria dos homens oferecem uma ‘opinião’ como conselho para a alma. Mas a opinião, sendo incerta, envolve aqueles que aceitam de igual maneira os acontecimentos, que são incertos. A persuasão vai eqüivaler ao rapto por força, pois Helena foi compelida a concordar com o que foi dito. Então, o persuasor, que a prejudicou, deveria ser o culpado. A persuasão, portanto, tem o poder de imprimir o que deseja sobre a alma do ouvinte. Alguns argumentos removem certas opiniões e implantam outras, fazendo o que é incrível e invisível surgir diante dos olhos da mente. Nas competições jurídicas o discurso podia persuadir uma multidão pela habilidade de sua composição e não pela verdade de suas declarações. Nos debates filosóficos, que tornavam rápidos os pensamentos, a mudança de opinião era facilmente demonstrada. Conclui-se que o poder do discurso afetava diretamente a alma, assim como os remédios afetavam o corpo. Os remédios, portanto, dirigiam diferentes humores para o corpo podendo pôr fim à doença como também à vida. Com o discurso ocorria e ocorre o mesmo: pois as palavras podiam e podem induzir o pesar, o prazer ou o medo na alma do ouvinte através de seu encantamento.
A tradução que se segue é apenas um ‘jogo’ ou ‘brinquedo’ que um estudante de filosofia antiga tem diante dos olhos quando tenta perscrutar como um orador da antigüidade, como Górgias, pensava.

1) Ordem para uma cidade é o bom homem, para um corpo a beleza, para uma alma a sabedoria, para um ato a excelência, para um discurso a verdade; o contrário disso é desordem. Em relação ao homem, à mulher, ao discurso, à ação,à cidade, à atividade é necessário honrar com louvor o que for digno de louvor, e ao que for indigno censurar;pois igual erro e ignorância é censurar o louvávele louvar o censurável.
(2) Do mesmo homem é dizer corretamente o devido e refutar *** os que censuram Helena,mulher sobre quem uníssona e unânime se fez a crençados que escutaram os poetas e a fama do nome, que das desgraçasse tornou memória. Eu então quero, tendo dado uma lógica ao discurso, tanto a que escuta maldades livrar da acusação, e os que a censuram, demonstrando que mentem e mostrando a verdade, livrá-los da ignorância.
(3) Que portanto, pornatureza e por origem, é a primeira entre os primeiros homense mulheres a mulher em torno da qual tratará este discurso,não é obscuro nem a poucos. Pois claro é que suamãe era Leda, e que seu pai, o que foi era um deus e o que sedizia um mortal, Tíndaro e Zeus, um dos quais por ser pareceu,enquanto o outro por dizer foi refutado; aquele o melhor dos homens eeste o tirano de todos.
(4) De tais genitores nascida, ela obteve a divina beleza, que tendo recebido e não escondido, manteve; e em muitíssimos, muitíssimas paixões de amor ela suscitou, e com um só corpo conduziu muitos corpos de homens que pensavam grande sobre grandes coisas, dos quais uns tiveram grandeza de fortuna, outros a satisfação de uma antiga origem, outros a boa forma de uma força própria, e outros o poder adicionado de uma sabedoria obtida; e vinham todos, sob a força do amor que amaa vitória e do invencível amor pelas honras. (5)Quem, portanto, e por que, e como satisfez o amor tendo tomadoHelena, não direi; pois o dizer aos que sabem aquilo que sabemtem o seu crédito, mas prazer não traz. E ao tempo de então, com a palavra de agora remontando, ao princípio do discurso por vir avançarei, e proporei as causas pelas quais era natural que se desse a partida de Helena para Tróia.
(6) Pois, ou por desígnio da sorte, decisão dos deuses e decreto da necessidade ela fez o que fez, ou foi por força raptada, ou então por discurso persuadida, < ou por amor conquistada >. Se foi pelo primeiro motivo, é digno de ser acusado o que a acusa; pois um divino propósito com humana providência é impossível impedir. Pois o natural não é o mais forte pelo mais fraco ser impedido, mas o mais fraco pelo mais forte ser governado e conduzido, o mais forte conduzir e o mais fraco seguir. Ora, deus é mais forte que homem, em força, em sabedoria e em outras coisas. Se portanto à Sorte e àdivindade se deve atribuir a acusação, deve-se absorver da infâmia Helena.
(7) Se por força foi raptada, ilegitimamente violentada e injustamente ultrajada, é claro que o raptor, porque ultrajou, foi injusto, e que a raptada,ultrajada, foi infeliz. Digno, portanto, o bárbaro que tentou um atentado bárbaro, pelo discurso, pela lei e pela ação receber pelo discurso, a acusação; pela lei a desonra;pelo ato o castigo; e a vítima da violência, privada da pátria e feita órfã dos amigos, como não seria natural que merecesse piedade mais do que maledicência?Ele com efeito praticou um ato terrível, e ela sofreu; é justo portanto a esta lastimar, e àquele odiar.
(8) Se foi o discurso que o persuadiu e enganou a alma, nem diante disso é difícil fazer a defesa e desfazer a acusação, assim: o discurso é um grande soberano, que com o mais diminuto e inaparente corpo as mais divinas obras executa; pois ele pode cessar o medo,arrancar a tristeza, suscitar a alegria e aumentar a compaixão.E isto como é que se dá eu mostrarei: (9) é preciso também por opinião mostrar aos ouvintes: toda poesia eu considero e denomino um discurso que tem metro: nos que a escutam penetra um calafrio de terror, uma compaixão lacrimosa, um pesar comprazido; e diante das ações e dos corpos alheios, com boa sorte e os reveses, um sofrimento que é próprio, por meio das palavras, a alma sofre. Ora vamos! Que eu mude de um discurso para o outro.(10) Os encantamentos inspirados divinamente, por meio das palavras, movem o prazer,removem a dor; conformando-se com a opinião da alma, o poder do encantamento a seduz, persuade e transforma essa alma pelo enfeitiçamento. De enfeitiçamento e magia duas técnicas se encontraram, que são erros da alma e ilusões da opinião. (11) Quanto a quantos persuadiram e persuadem,sobre quanta coisa, um falso discurso modelando! Se com efeito sobretodas as coisas todos tivessem memória das passadas , das presentes e previsão das futuras, não seria semelhante o discurso para aqueles aos quais agora, o discurso enganaria. De fato porém, nem para recordar o passado, nem para examinar o presente, nem para adivinhar o futuro tem bom caminho; de maneira que, sobre o maior número de casos a maioria tem a opinião como conselheira presente da alma. Mas a opinião, escorregadia e instável, em escorregadios e instáveis desencontros arremessa os que dela se servem.(12) Então, que causa impede que também a Helena hinos tenham encantado semelhantemente, embora não sendo jovem, como se por força dos violentos tivesse sido raptada? O efeito da persuasão domina, mas a mente, embora não tenha a forma da necessidade, tem o mesmo poder. Pois o discurso que persuadiu a alma, a que ela persuadiu, força-a a se confiar no que é dito e a aprovar o que é feito. Quem portanto persuade, pelo fato de forçar, comete injustiça, mas a alma persuadida, enquanto forçada pelo discurso, sem razão tem má reputação. (13) Que a persuasão,associando-se ao discurso, forja a alma como quer, deve-se primeiro aprender os discursos dos meteorologistas, os quais, opinião contra opinião, ora tirando uma, ora suscitando outra, fazem que o incrível e obscuro se evidenciem aos olhos da opinião;em segundo lugar, os inevitáveis debates, por meio dos discursos, nos quais um só discurso muita gente deleita e persuade, com técnica é escrito, não com verdade proferido; em terceiro lugar, as disputas de discursos filosóficos,nas quais se mostra inclusive a rapidez do pensar, que faz mutável a crença da opinião. (14) A mesma palavra tem o poder do discurso perante a disposição da alma e a disposição dos remédios para a natureza dos corpos. Com efeito, como os diferentes remédios expulsam diferentes humores do corpo, e uns cessam a doença, outros a vida, assim os discursos, uns afligem, outros deleitam, outros atemorizam, outros dispõem os ouvintes à confiança,e outros por meio de uma persuasão maligna envenenam e enfeitiçam a alma.
(15) Que ela então,se pelo discurso foi persuadida, não cometeu injustiça,mas foi infeliz, está dito; sobre a quarta causa, com o quarto discurso vou expor. Se foi amor que praticou todas essas coisas, não dificilmente ela se livrará à acusação de erro que se diz ter ocorrido. Com efeito, o que vemos tem uma natureza que não é a que nós queremos, mas a que em cada caso ocorre; e por meio da visão a alma até em seus modos é forjada. (16) Por exemplo, quando corpos inimigos, inimiga ordem em inimiga armadura, de bronze e de ferro, em um de defesa, em outro de ataque, se os observa a vista, é perturbada e perturba a alma, de modo que muitas vezes, fazendo-se presente o perigo iminente, fogem espavoridos. Firme, a veracidade da lei pelo medo se apropria de nós, pelo medo proveniente da vista, que sobrevinda faz com que se descuide do julgado belo de acordo com a lei, e do tornado bom por causa da vitória.(17) E já houve alguns que, diante de visões terrificantes, o pensamento que no instante tinha naquele instante de tempo perdera: a tal ponto o medo extenua e extermina a reflexão.E muitos em inúteis penas, em terríveis doenças e incuráveis loucuras se precipitaram: a tal ponto a visão inscreve no pensamento imagens dos acontecimentos vistos. E quanto ao que assusta, muitos casos são omitidos, mas são semelhantes os omitidos aos que se mencionam. (18) Mas, os pintores, quando a partir de muitas cores e corpos um só corpo e figura perfeitamente elaboram, deleitam a vista; e a confecção de estátuas humanas e a modelagem de monumentos um espetáculo agradável apresenta aos olhos. Assim, o afligir e o desejar são naturais à vista. E muitas coisas em muitos o amor e o desejo de modelar muitos acontecimentos e corpos. (19) Se portanto, pelo corpo de Alexandre, o olhar de Helena, tendo sentido prazer, pôs-lhe n’alma impulso e porfia de amor, que háde espantoso? Se, por um lado, este sendo deus < tem > poder divino dos deuses, como o que é inferior seria capaz de expulsá-lo e se defender? Se, por outro lado, é doença humana e ignorância da alma, não se deve censurar como um erro, mas considerar como uma desventura. Veio com efeito, como veio, por ciladas do acaso, não por desígnios do conhecimento, por necessidade do amor, e não por preparações da técnica.
(20) Como portanto se deve considerar justa a censura a Helena que, se fez o que fez ou apaixonada, ou pelo discurso persuadida, ou pela força raptada, ou por divina necessidade coagida, e, em todos os casos,escapa à acusação?
(21) Retirei com o discurso a infâmia de uma mulher, permaneci dentro da lei que estabeleci no começo do discurso; tentei desfazer a injustiçade uma censura, a ignorância de uma opinião, quis escrever este discurso como, por um lado, um elogio a Helena e, por outro, meu brinquedo.



terça-feira, 3 de agosto de 2010

Aquecimento do planeta

Todos nós sabemos da necessidade de cuidarmos do meio ambiente. Em toda parte vemos notícias sobre a degradação da natureza e o que devemos fazer para salvar o nosso planeta. 

Muitos podem pensar que as ações para que isto aconteça devem partir dos órgãos governamentais porque são coisas grandiosas para serem feitas por indivíduos isoladamente. Quem pensa assim, pode estar certo que está enganado, pois atitudes bem simples, no dia a dia, podem contribuir e muito para salvar o planeta. Afinal, se cada um pensar em fazer a sua parte, um pouquinho que seja, juntos seremos fortes, não é assim?

É bem verdade que os governos também têm sua parcela de responsabilidade e não é pequena, mas cada indivíduo pode e deve dar a sua contribuição.

Falando de Brasil, vemos que em algumas cidades o cuidado das pessoas é bastante grande, em coisas bem simples, eu diria, como não jogar lixo nas ruas (para não entupir os bueiros que mais tarde vão ocasionar alagamentos e enchentes), a prática da coleta seletiva nas escolas, empresas e até em casa e sentir-se (co) responsável por manter limpo os ambientes públicos. Não quero dizer com isto que o indivíduo teria que fazer o trabalho que não é dele, mas apenas se preocupar em não sujar e deixar pra lá, porque não é problema seu.

Infelizmente, se em alguns estados e cidades brasileiras a sociedade já evoluiu, noutros a cultura do "isto não é problema meu" ainda está vigente. Conheço cidades muito bonitas mas que, pela ignorância de seus moradores, comerciantes e pedestres por onde se passa vê-se um rastro de sujeira pelas calçadas e ruas. É uma pena! 

Ainda bem que, na outra ponta temos pessoas preocupadas em buscar novas soluções para este velho problema, o do meio ambiente.

Abaixo apresento uma matéria sobre Aquecimento global, trazida por Tiago Bertoldo, publicada recentemente em uma revista de grande circulação no Brasil.




Ajude a reverter o aquecimento global: Pinte seu telhado de branco   
  
Agir, mudar, transformar e fazer a diferença. Esse é o objetivo da ”One Degree Less – White Roofs Initiatives for 100 Cities”, campanha criada pela ONG Green Building Council Brasil para ajudar a baixar a temperatura do planeta em um grau. A idéia é incentivar a pintura de telhados das grandes cidades e adiar o efeito de aquecimento global até que as nações façam um acordo internacional contra as mudanças climáticas.
Para continuar a incentivar a população a pintar de branco telhados, lajes e coberturas e diminuir a temperatura do planeta, o GBC Brasil, em parceria com a Moma Propaganda, lança a segunda fase da campanha, com participação especial de personalidades.
A consultora de moda Costanza Pascolato, as atrizes Cristiane Torloni e Fernanda Paes Leme, a modelo Caroline Bittencourt, o cantor Toni Garrido, o ex-jogador de futebol Raí e a atleta Fernanda Murer são também os novos apoiadores da iniciativa e estão à frente dessa ação. Com o slogan “Ajude a parar o aquecimento global. Pinte seu telhado de branco”, a campanha de mídia impressa consiste em fotos individuais dos famosos fazendo um sinal de Pare, e estréia no próximo mês.
“Queremos fazer os cidadãos pensarem sobre o problema e perceberem que não é possível ficar parado e que é necessário agir. Cientistas falam sobre aquecimento do Oceano Atlântico sul há mais de uma década, mas somente agora estamos começando a ver tragédias, como recentemente no Rio de Janeiro. Se quisermos deixar um mundo melhor para nossos filhos, esse é o momento de fazer alguma coisa”, destaca Thassanee Wanick, fundadora do GBC Brasil e criadora do One Degree Less.
A realização de todas as etapas da campanha foi feita pró-bono, em parceria com pessoas e empresas preocupadas e engajadas com questões ambientais. Desde a participação das celebridades, passando pela agência e maquiadores, até o reconhecido fotógrafo Mauricio Nahas, que cedeu seu estúdio em São Paulo para realizar as sessões de fotos. A veiculação da campanha também será pró-bono.
                                                                                                                       
Solução e simples, barata e fácil de fazer
Para ajudar a combater o aquecimento global, basta pintar os telhados das casas, lajes e galpões de branco. Hoje já existem no mercado tintas e materiais autolimpantes que facilitam a manutenção e evitam que as superfícies precisem ser pintadas novamente por muitos anos.
Segundo o laboratório norte-americano Lawrence Berkeley, apoiador da campanha,  ao pintar  as superfícies  das construções com material claro é possível diminuir os efeitos da incidência solar. “Estima-se que para cada 100 m2 de cobertura pintada com cor branca são compensadas 10 toneladas de emissão de CO2 por ano, um resultado maior do que se pode imaginar” destaca Thassanee. Como efeito de comparação, uma típica casa emite aproximadamente, por ano, as mesmas 10 toneladas de CO2.
A campanha One Degree Less permite ainda a criação de empregos, já que pintores poderão se especializar na prática. A ação também envolve o estímulo aos chamados telhados verdes. Baixo custo e eficiência caracterizam esta iniciativa para combater o aquecimento global.
Desde que foi lançada, em 2009, a campanha já conseguiu estimular a pintura de mais de 450 mil m2, o que equivale a retirada de 45 mil carros de circulação ou 45 mil tonelados de carbono.

Benefícios dos telhados brancos:
·  Diminuição das ilhas de calor de prédios e casas;
·  Diminuição da emissão de CO2.
·  Ajuda a refletir raio solar de volta para espaço;
·  Fácil aplicação e pouca manutenção;
·  Resultado imediato e alto impacto;
·  Reduz custo de ar condicionado e ventilador;
·  Ação eficiente no combate ao aquecimento global.

ESTA É UM CAMPANHA DA  ”One Degree Less – White Roofs Initiatives for 100 Cities”, campanha criada pela ONG Green Building Council Brasil 

Texto recebido de Tiago Bertoldo

domingo, 1 de agosto de 2010

Filosofia

Mas, afinal, o que é Filosofia?



Phi - Letra utilizada como logo para representar a filosofia

A palavra Filosofia é composta de duas outras palavras de origem grega: Filos, que significa amor, amizade, e Sofia, que traduzimos como sabedoria ou conhecimento. É a Pitágoras de Samos (571 a.C. – 496 a.C.) que se atribui a invenção da palavra. Este, quando solicitado por um rei a demonstrar seu saber, disse-lhe que não era sábio, mas Filósofo, ou seja, amigo da sabedoria. 

Ainda na Grécia Antiga, e tentando definir melhor o sentido da Filosofia, Platão (428 a.C. – 347 a.C.) mostra que o amor (Filos) é carência, desejo de algo que não se tem. Logo, a Filosofia é carência, mas também recursos para buscar o que se precisa, e o filósofo não é aquele que possui o saber, mas sim quem busca conhecer continuamente. 

Já no período Medieval, a Filosofia tornou-se investigação racional posta a serviço da fé. Isso porque com o advento do cristianismo e sua adoção pelo Império Romano, bem como com o surgimento da Igreja Católica, desenvolveu-se um modelo de saber em que a razão discursiva justificaria a compreensão dos textos sagrados. 

No período Clássico (Renascença e Modernidade), a Filosofia se confundiu com o estudo da sabedoria entendida como um perfeito conhecimento de tudo o que o homem pode saber para conduzir sua vida (moral), para conservar sua saúde (medicina) e criar todas as artes (mecânica). Hoje, no período que chamamos de contemporâneo ou pós-moderno, a Filosofia recebe várias acepções, dentre as quais estão: 

- Uma correspondência do ser na linguagem; 

- Análise crítica dos métodos utilizados nas ciências; 

- Instrumento de crítica às formas dominantes de poder, bem como da tomada de conscientização do homem inserido no mundo do trabalho. 

Vista dessa maneira, a Filosofia não pode ser confundida nem com o mito, nem com a ciência. Isso porque ao mesmo tempo em que exige análise, crítica, clareza, rigor, objetividade (como a ciência) percebe-se que os discursos em busca do conhecimento do todo são construídos na história segundo modelos de racionalidade que vão sendo revisados e substituídos com o tempo (o que a aproxima do mito). Ela permanece numa busca constante da sabedoria. 

Por João Francisco P. Cabral 
Colaborador Brasil Escola
http://www.brasilescola.com